de tempo para que eu me desse conta de que aquela imensidão complexa de tudo que eu vivia procurando e que, no fundo, já havia desistido de encontrar, esteve sempre ao meu lado, com o melhor dos abraços e o olhar que termina repentinamente e que um dia, eu tinha certeza, iria se acostumar ao encontro com os meus. Parece um pouco clichê dizer isso mas ainda é ansiosa a espera, mesmo depois de mais de meia dúzia de estações. Ainda são seus os braços para os quais eu corro na alegria e no cansaço. Ainda são as suas pernas que eu sinto roçar nas minhas quando nos imagino aqui ou lá. Mesmo depois de todas as turbulências é sempre na sua direção que volto meus planos, desejos e sorrisos. Aquele coração nervoso agora é meu e ele ainda corre, anseia pelo nosso encontro. Não me surpreendo mais com o suor em minhas mãos ou com o morder de lábios involuntário ou com as borboletas no estômago. Eu me desconcentro, eu perco o foco, eu tropeço nas palavras, eu me emociono... Tudo isso porque eu ainda te amo com o mesmo fervor daquele dia em que vimos dois satélites. É quando me dou conta também que mesmo depois de tanta vida juntos, nossa maior certeza é que ainda há muito mais vida para nós dois.